domingo, 26 de junho de 2016

Um século de energia em Portugal

Um retrato, em números, da evolução das fontes de energia que alimentaram
o desenvolvimento do país

A propósito dos 100 anos de energia em Portugal, o jornal Público disponibilizou esta informação gráfica que, no original, é interativa. Seguindo o link, podemos verificar, por exemplo, que, em 1915, a capacidade elétrica instalada era reduzidíssima e tinha origem na térmica fóssil e na hídrica, respetivamente, 8 e 2 MW. 
No início da década de 50, em 1951, as fontes continuavam a ser as mesmas e a sua capacidade instalada crescera, mas pouco, 83 e 501 MW, portanto, com uma maior capacidade da hídrica que ultrapassou francamente a térmica fóssil. Em 1987, aparece pela primeira vez a menção a capacidade instalada com origem em "Outras renováveis", sendo a térmica fóssil a que, na mesma data, apresentava a maior capacidade instalada, 3 698 MW contra 3 516 MW da hídrica. Em 1991, surge a eólica com 1 MW de produção e, em 2007, a solar com 13 MW de capacidade. Nesta altura, a aposta do país nas renováveis traduziu-se num aumento substancial da comparticipação da eólica, 2 199 MW, e de 491 MW com origem em "Outras renováveis". Apesar dos esforços, as tradicionais fontes eram as maiores fornecedoras de capacidade instalada.
http://www.publico.pt/ecosfera/interactivo/um-seculo-de-energia-em-portugal


AUTORES

IMAGENS

Museu da Electricidade, Museu Mineiro de São Pedro da Cova, Público, Reuters
Na publicação, "Hidroletricidade em Portugal, Memória e Desafio" editada pela REN, S.A. - Rede Elétrica Nacional - da autoria dos engenheiros Carlos Madureira e Victor Baptista, encontramos um acervo muito interessante de imagens dos empreendimentos hidroelétricos do país e um texto riquíssimo que nos dá a perspetiva cronológica da construção das barragens.
Na apresentação da publicação, podemos retirar que, data da última década do século XIX, a utilização da água como força motriz para a produção de energia elétrica, um processo incipiente que se prolongou até 1930 e que teve, como objetivo, "satisfazer consumos locais", tais como "pequenas instalações de iluminação pública e oficinas de moagem, fiação e tecelagem, fábricas têxteis e de lanifícios".
A partir de 1930, "emerge a ideia da necessidade de aproveitar a energia da água dos rios para a produção de eletricidade ... para atingir o objetivo da industrialização". Iniciada no papel, por volta de 1940, começa a "produzir efeitos no terreno a partir de 1950", com a construção de grandes aproveitamentos hidroelétricos nas bacias dos rios Cávado e Zêzere e no troço do Douro internacional, um processo que se estende até cerca de 1965 e que, em ritmo variável, vai ter continuidade com novas obras até ao início dos anos 90 (Alto Lindoso, 1992). 
Desde então, assistimos à inauguração, em 2002, da Barragem do Alqueva, ao abandono do empreendimento da barragem de Foz-Côa e, mais recentemente, fomos informados, pelo atual governo, que não serão construídos novos empreendimentos. Para os autores atrás mencionados, o menor empenhamento no aproveitamento dos recursos hídricos é algo de estranho. Segundo dizem, "Uma das diretrizes da política energética nacional e comunitária reside no aproveitamento  dos recursos endógenos, nomeadamente, através das energias renováveis e não poluentes". Assim sendo, justificar-se-á a construção de novos aproveitamentos hidroelétricos mas, tal como acontece com Alqueva (acrescentamos nós), "numa ótica de potenciais Aproveitamentos de Fins Múltiplos hierarquizados pela seguinte ordem:

1. abastecimento de água a população, indústria e pecuária;
2. rega;
3. contribuição para mitigar os efeitos danosos e situações extremas, tais como,
          3.1. garantia de caudais ecológicos e ambientais satisfatórios a jusante em períodos 

                 críticos, visando reduzir os efeitos da poluição difusa;
         3.2. em situações de cheia, contribuição para o amortecimento dos caudais de ponta;

4. produção de eletricidade;
5. em certos casos, como o leito nacional do rio Douro, a criação de condições necessárias
    à navegabilidade comercial e turística;
6. criação de condições para práticas de recreio e lazer.

 

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