sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Maior complexo de barragens do país nasce no Tâmega

Com texto de Miguel Prado e infografia de Jaime Figueiredo, o Expresso (edição 08/fevereiro/2017) noticia a construção de novas barragens hidroelétricas, pela empresa Iberdola, na região do Tâmega. Este acontecimento divide opiniões entre os promotores dos empreendimentos que argumentam que as barragens permitem ao país explorar um recurso endógeno e travar a importação de combustíveis fósseis para a produção de eletricidade (como carvão e gás natural) e aqueles são contra:  
Se em projetos como o do Alqueva a criação de albufeiras pode estimular o surgimento de negócios na área do turismo, noutras centrais hidroelétricas os benefícios económicos futuros são mais incertos. No caso do GEOTA  - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente - uma das
associações ambientalistas do país, há uma oposição inequívoca contra este novo projeto. Aliás, posteriormente à divulgação da retoma do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), lançado em 2007, este mesmo grupo apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República por suspeitas de corrupção d corrupção e tráfico de influências na construção destas três novas barragens.  As preocupações ambientais do GEOTA levaram a associação a criar o projeto Rios Livres com a missão de preservar os rios selvagens em Portugal e alertar para a importância social, ambiental e económica dos ecossistemas ribeirinhos.
Num artigo de Cláudia Fulgêncio pode-se ler que, para os técnicos e os decisores de novas barragens para consumo ou rega e para a produção de eletricidade, há mais vantagens do que desvantagens em novos empreendimentos. Porém, os contras são significativos:

  • constituem um obstáculo físico na paisagem
  • imprimem uma quebra na dinâmica biológica na área afetada
  • transformam um extenso troço do rio em áreas de águas paradas
  • provocam modificação significativa dos habitats animais existentes
  • diminuem o transporte de sedimentos e de matéria orgânica essencial para as espécies a jusante das barragens
  • podem afetar a qualidade das águas por entrofização se, previamente ao enchimento da albufeira respetiva, não se proceder à desnatação da vegetação existente.
João Bento Leal, professor na Universidade Adger, na Noruega, expressa, também, a sua opinião sobre os prós e contras das barragens Revista Pedra e Cal, nº56.

Neste artigo, o autor apresenta dados gráficos sobre a temática em causa.
 

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