Se em projetos como o do Alqueva a criação de albufeiras pode estimular o surgimento de negócios na área do turismo, noutras centrais hidroelétricas os benefícios económicos futuros são mais incertos. No caso do GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente - uma das
associações ambientalistas do país, há uma oposição inequívoca contra este novo projeto. Aliás, posteriormente à divulgação da retoma do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), lançado em 2007, este mesmo grupo apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República por suspeitas de corrupção d corrupção e tráfico de influências na construção destas três novas barragens. As preocupações ambientais do GEOTA levaram a associação a criar o projeto Rios Livres com a missão de preservar os rios selvagens em Portugal e alertar para a importância social, ambiental e económica dos ecossistemas ribeirinhos.
Num artigo de Cláudia Fulgêncio pode-se ler que, para os técnicos e os decisores de novas barragens para consumo ou rega e para a produção de eletricidade, há mais vantagens do que desvantagens em novos empreendimentos. Porém, os contras são significativos:
- constituem um obstáculo físico na paisagem
- imprimem uma quebra na dinâmica biológica na área afetada
- transformam um extenso troço do rio em áreas de águas paradas
- provocam modificação significativa dos habitats animais existentes
- diminuem o transporte de sedimentos e de matéria orgânica essencial para as espécies a jusante das barragens
- podem afetar a qualidade das águas por entrofização se, previamente ao enchimento da albufeira respetiva, não se proceder à desnatação da vegetação existente.
Neste artigo, o autor apresenta dados gráficos sobre a temática em causa.


