Na edição de 14/05/2017 do Expresso, Joana Madeira Pereira assina um interessante texto sobre a preservação de vinhas em, apenas,
9 hectares da Ilha Terceira, na freguesia de Biscoitos. Porque me pareceu que deveria partilhar esta notícia convosco? Porque
- se trata de um belo exemplo de manutenção de uma prática agrícola tradicional, com mais de 500 anos
- se localiza em terrenos vulcânicos, fertéis, o que justifica o empenho humano em áreas que, muitas vezes, são sujeitas a manifestações vulcânicas frequentes e violentas (não parece ser este o caso embora saibamos que, junto à ilha do Faial, tenha nascido um novo ilhéu - os Capelinhos - cuja erupção começou em 12 de setembro de 1957 e que todo o arquipélago éde origem vulcânica)
- mostra a "construção" de uma paisagem humanizada em que o homem, de forma empírica, adaptou a técnica às características do meio ambiente. Percebendo a influência negativa dos ventos marítimos nas videiras e verificando a necessidade de proteger o solo, os homens que se instalaram nesta parte da ilha encontraram uma solução: erigiram muros de pedra solta num desenho quadriculado, de pequenas áreas, apelidadas de curraletas. Mas estes minifúndios fechados não protegem somente dos ventos. Eles, igualmente, concentram o calor como se fossem fornos.
- despertaram a atenção de dois técnicos especializados, dois enólogos, que não ficaram indiferentes ao valor paisagístico e cultural destas vinhas em perigo de extinção e abraçaram o desafio de as recuperar
- mais uma vez constatámos o quanto é positivo aliar a tradição à inovação, o conhecimento empírico ao saber científico e o quanto é válido optar por um lucro menor em prol da conservação das raízes que nos ligam ao passado para, com o que somos capazes de elaborar hoje, construamos um futuro melhor sem perda de identidade sociocultural.
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| Torreão miradouro em pedra na Vinha Branca de vinho vermelho dos Biscoitos de Dimas Simas Lopes |

