quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Envelhecimento em Portugal

"As estatísticas confirmam: este país é para velhos"
Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira são os autores de um  estudo publicado pela FFMS - Fundação Francisco Manuel dos Santos - sobre "ENVELHECIMENTO ACTIVO EM PORTUGAL, Trabalho, reforma, lazer e redes sociais".  Na introdução deste trabalho podemos ler uma frase que, de forma breve, sintetiza o que representa este fenómeno: 
O envelhecimento é um dos problemas cruciais do século XXI. 
Um problema que afeta muitos outros países. Como dizem, também, os referidos autores as sociedades desenvolvidas transformaram-se em sociedades envelhecidas.
Isso mesmo é evidenciado, igualmente, pela observação dos mapas demográficos europeus revelados em artigo do jornal Dinheiro Vivo: em 2014, só o Chipre, a França e a Itália apresentavam uma população de idade média superior a Portugal e, em onze dos 28 Estados Membros, a média etária era superior à média comunitária, 42,2 anos.

dinheirovivo.pt
Mas se analisarmos o envelhecimento médio de 1994 a 2014, isto é, nas duas últimas décadas, o nosso país volta a destacar-se por ter registado um dos maiores acréscimos de anos: 7,6 anos. Apenas, a França, nos acompanhou e, a Lituânia, foi o que mais anos de envelhecimento apresentou no período considerado.
Regressando ao estudo atrás mencionado e à sua introdução, é possível destacarmos mais alguns pormenores que reforçam o contexto problemático do envelhecimento populacional em Portugal.
Por exemplo, e seguindo uma escolha pessoal, podemos ler que:

  • As últimas décadas do século passado registaram um aumento ininterrupto do número de pessoas idosas;
  • Os factores responsáveis pelo envelhecimento são :
      • A queda da fecundidade
      • O aumento da esperança média de vida
      • A fortíssima emigração das décadas de 60 e 70
  • Em 2050, 3 em cada 10 residentes em Portugal terão 65 ou mais anos;
  • Em princípio, o envelhecimento é considerado um fenómeno positivo, quer para os indivíduos, quer para as sociedades, pelo que significa de progressos realizados pela humanidade em termos económicos, sociais e biomédicos;
  • Todavia, o envelhecimento não deixa de ser um paradoxo devido a uma série de consequências complexas e mesmo gravosas para o tipo de sociedade dita ocidental;
Aqui, podemos extrair as principais implicações deste fenómeno demográfico em dois planos, o individual e o colectivo. Assim, no

  • Plano individual, conclui-se que:
    • Maior longevidade, traz mudanças radicais do quadro de vida no que respeita
      • ao estado de saúde
      • à participação na sociedade
    • Viver mais, significa estar mais exposto a
      • doenças crónicas
      • declínio das redes pessoais e sociais
      • problemas acrescidos de falta de autonomia e dependência dos outros
      • aumento da limitação da sociabilidade familiar ou de vizinhança
      • acentuação dos riscos de vulnerabilidade do estado de saúde, do isolamento social e de solidão própriamente dita, da dependência não só física e mental como também económica
      • aumento do risco de estigmatizarão em relação "aos velhos".
e, no

  • Plano colectivo, verifica-se que:
    • O envelhecimento coloca enormes exigências às relações interoperacionais
      • agrava os desequilíbrios entre activos e não activos
      • acentua as assimetrias entre jovens e idosos
      • aumenta os riscos inerentes à sustentabilidade dos sistemas de saúde e da segurança social
      • questiona o lugar da velhice na sociedade.
 

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