Dedicada a áreas de investigação como desertificação, catástrofes e riscos ambientais, recursos naturais e geomorfologia, a professora Maria José Roxo é a autora deste breve artigo publicado no site da FFMS (Fundação Francisco Manuel dos Santos): É urgente repensar e redesenhar o território.
Fonte - Beira Digital
Partindo da certeza que, a mudança climática é
uma realidade causada pelo aquecimento global, a geógrafa afirma que, as perturbações da dinâmica oceano-atmosfera estão na origem da instabilidade atmosférica e na génese destas tempestades cada vez mais intensas e que afetam com grande grau de destruição as áreas litorais dos continentes, como aconteceu agora com Portugal. Apesar de afirmar que, as cheias, não podem ser evitadas, defende a premência de usar uma política de planeamento territorial em conformidade com as áreas consideradas de risco de modo a mitigar as suas consequências.As más decisões, como deixar construir em leitos de cheia, a instalação de infraestruturas e o não se ter respeito pelas reservas ecológicas são fatores responsáveis pela tragédia nas suas componentes ambiental, económica e social.
É fundamental a implementação de medidas de adaptação aos fenómenos extremos tais como as secas e tempestades de forte intensidade, que provocam cheias fluviais e inundações nos meios urbanos.
(...) é urgente repensar e redesenhar o território, diminuindo as dicotomias litoral /interior e meio rural/ meio urbano. Para tal é necessário, coragem política e ação.
A inércia, a burocracia, a irresponsabilidade e a falta de respeito pela Natureza ao longo do tempo, têm conduzido, a que os efeitos destes fenómenos naturais extremos, a que se associam os incêndios, sejam cada vez mais graves a todos os níveis (ambientais, económicos e sociais).