Em 2 de Abril de 2026, a FFMS (Fundação Francisco Manuel dos Santos), numa escolha da investigadora Raquel Vaz Pinto, disponibilizou um interessante artigo sobre geopolítica. Publicado na revista Foreign Policy, da autoria de Arash Reisinezhad e Arsham Reisinezhad, o texto ressalta que,
a geografia continua a exercer uma influência profunda sobre o curso da guerra n
E em que é que a geografia do Irão confere vantagens ao país? Nomeadamente, a localização (2400 kms de costa ao longo dos Golfos Pérsico e Omã), a dimensão do território (1 648 000Km2) e, especialmente, o relevo montanhoso (um vastíssimo planalto interior entre as barreiras defensivas das cadeias montanhosas de Zagros e Elboúrz). No cruzamento entre o sul, o centro
e o ocidente da Ásia, o Irão - terceiro maior produtor mundial de gás natural e quinto maior produtor de petróleo -, tem usado, no atual conflito com os EUA e Israel, a existência de outra particularidade geográfica: o Estreito de Ormuz.Alicerçado na "sua" geografia, o Irão tem condicionado:
- o campo de batalha
- os mercados energéticos mundiais
- as cadeias de abastecimento
- os fluxos financeiros
Contudo, numa similitude geográfica e com o apoio de um dos seus aliados, os houtis, o Irão aproveita a passagem de Bab-el-Mandeb, que liga o Golfo de Asém ao Mar Vermelho, para reforçar a ameaça à rede marítima essencial ao comércio mundial.
Como rematam os autores do vasto artigo do Foreign Policy,
Quando invadiu a Rússia em 1812, Napoleão Bonaparte foi derrotado pelo «General Inverno» e pelo «General Espaço», como diriam mais tarde os russos. Hoje, é possível que também no Irão haja dois generais ocultos: o «General Geografia», que comanda as montanhas e os pontos de estrangulamento marítimos do país, e o «General Resistência», que representa a sua capacidade para absorver choques e suportar uma guerra de longa duração.
Aliás, são vários os autores e especialistas em geopolítica que mencionam o papel desempenhado pela Geografia desde tempos imemoriais. É o caso de Tim Marshall, em "Prisioneiros da Geografia: 10 mapas que explicam tudo o que precisa de saber sobre política internacional" (título original: Prisoners of Geography), publicado em 2015.
Nesta sua obra, o autor escreve:
As regras da Geografia bem conhecidas de Aníbal, Sun Tzu e Alexandre o Grande, ainda se aplicam aos líderes de hoje.
(Relembro: Aníbal, general cartaginês, 218 a.C., que, na Segunda Guerra Púnica, ousou contornar os Alpes para invadir a Itália pelo Norte, apesar das dificuldades do relevo e do clima.
Sun Tzu, autor da "A Arte da Guerra", no século VI a.C., atribuíu à geografia um papel fundamental conjuntamente com a compreensão do terreno. Geografia e "Terra" são os fatores para o sucesso militar e político.
Alexandre, o Grande, 356-323 a.C., discípulo de Aristóteles, seu educador, aprendeu ciências naturais e geografia e, nas suas campanhas militares, fazia-se acompanhar de cientistas. Mapas dos espaços explorados, medição de distâncias, registos decritivos das paisagens, localização dos povos e culturas que encontravam, etc., demonstram o quanto a geografia era considerada uma ferramenta de conquista e um objecto de estudo de Alexandre.)
