quinta-feira, 9 de março de 2017

O envelhecimento em Portugal

Como se pode verificar no planisfério demográfico da figura 1, Portugal integra-se no grupo de países que regista dos mais baixos valores do índice de fertilidade em 2014. Em contrapartida, o continente africano destaca-se por, na maioria dos seus países, se observarem os maiores valores deste índice. Será, então, correto atribuir-se uma correlação direta


Fig.1 - Distibuição mundial do Índice de Fertilidade por país (2014)
(Fonte: Supaman89 - Obra do próprio – updated per The World FactBook (CIA)
 - https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/fields/2127.html
 entre crescimento económico, grau de desenvolvimento humano e índice de fertilidade. Sem considerarmos factores como costumes, religião ou etnia,
os resultados cartografados mostram que, genericamente, o grupo de países ditos desenvolvidos apresenta baixos valores de fertilidade, ao passo que, o grupo dos países ditos em vias de desenvolvimento, continua, ainda, a contabilizar os dados mais elevados do índice de fertilidade.

Fig.2



Atualmente, discute-se cada vez mais as consequências dos baixos valores do índice de fertilidade, nomeadamente, em Portugal. Na figura ao lado, vemos uma dessas consequências: segundo os estudos elaborados pelos especialistas, prevê-se que, em 2060, o nosso país será ainda mais envelhecido do que já é, a pirâmida etária mostrar-se-á invertida, a natalidade e a fertilidade serão baixíssimas e, obviamente, Portugal registará uma quebra acentuada da sua população total.
Em 2050 Portugal será o país mais envelhecido da União Europeia, acompanhando a principal tendência da demografia global. Seremos menos portugueses a viver no território nacional e estaremos mais velhos do que alguma vez na nossa história. Estará o país (e o mundo) preparado para as mudanças sociais e económicas que esta revolução demográfica trará, inevitavelmente?
Rita Vaz Silva,   
População - A Encruzilhada da Longevidade, Revista Montepio





O envelhecimento e a longevidade assumem-se, de facto, como dois dos problemas que merecem que questionemos o presente para os enfrentarmos num futuro que se aproxima rapidamente. A marcar a pertinência deste tema, em 21 de fevereiro de 2017, a revista científica The Lancet publicou um artigo intitulado Esperança de vida futura em 35 países industrializados (...). Da leitura do texto podemos extrair que:
  • Em países de elevado rendimento (os mais ricos), exceto nos períodos de guerra, fome e surtos de infecção, a expectativa de vida nacional aumentou de forma constante durante décadas, embora haja estagnação ou declínio no grupo de países pobres e marginalizados
  • Prever a mortalidade futura e a esperança de vida é necessário para planear investimentos na  saúde e nos serviços sociais e os gastos nas pensões.
  • Aplicandoa média ponderada de desempenho de um conjunto de 21 modelos projeta-se que a esperança de vida continue a aumentar nos países industrializados da América, Oceania, Europa Central, Europa Ocidental e Ásia-Pacífico.
  • O maior aumento será na Coreia do Sul, nalguns países da Europa Ocidental e nalgumas economias emergentes.
  • O menor aumento será nos EUA, Japão, Suécia, Grécia, Macedónia e Sérvia.
Da observação dos gráficos que mostram o posicionamento dos 35 países de 2010 para 2030, no que concerne à evolução da esperança média de vida, verificámos que, no caso de Portugal:
  • o 12º lugar ocupado em 2010 passará para o 7º lugar nas mulheres;
  • o 22º lugar ocupado em 2010 passará para o 18º lugar nos homens.


Esta evolução será consequência das condições específicas de cada país. No caso dos EUA, o único país da OCDE sem cobertura de saúde universal, os cuidados de saúde são insuficientes e desiguais. Além disso, tem uma elevada taxa de mortalidade infantil e materna comparativamente ao seu nível económico global. Acrescem a violência e a taxa de homicídios, igualmente elevados. Por oposição, a Coreia do Sul regista, e continuará a usufruir, um declínio nos óbitos por infeções em crianças e adultos fruto das melhorias no nível de vida e na qualidade proporcionadas à população, tais como, melhorias na nutrição, no acesso a cuidados de saúde, na expansão de novas tecnologias médicas, nomeadamente. 
Portugal, apesar da sua situação económica atual, verá, segundo este estudo, melhorar o seu posicionamento dentro do grupo dos 35 países mais industrializados, continuando a esperança média de vida a ser mais elevado nas mulheres do que nos homens.







Fatores favoráveis ao aumento da longevidade:
  • Sistema de saúde equitativo e eficaz com acesso (tendencialmente, em muitos casos) universal e gratuito a cuidados de saúde primários e secundários
  • Aumento de impostos sobre o tabaco e o álcool
  • Envelhecimento saudável para prevenir ou atrasar condições crónicas através de, por exemplo, tecnologias de apoio que contrariem a perda de capacidades sensoriais e motoras, mudanças adequadas no edificado, alterações nos serviços de transporte, segurança social e pensões.
http://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140-6736(16)32381-9.pdf




 

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