quarta-feira, 28 de setembro de 2022

A perificidade de Portugal, um país periférico

"Alcance global"
 Falar da posição de Portugal na Europa e no Mundo remete para os dois conceitos incluídos no título, perificidade e periférico. Como distingui-los? Quando se diz que Portugal é periférico está-se a atribuir uma conotação geográfica, precisa. Portugal localiza-se no canto sudoeste do continente europeu (localização relativa) entre , aproximadamente, os paralelos de 37º e 42º N e os semimeridianos de 6º e 10º Oeste (localização absoluta). Este é um facto geográfico inquestionável e que carateriza Portugal desde meados do século XIII, mais concretamente, 1250, ano no qual o rei D. Afonso III alargou o território do reino praticamente para os seus limites atuais. Todavia, ao longo dos seus quase 879 anos de existência (de 1143, ano de Fundação do reino, até 2022), esta situação periférica nem sempre resultou num prejuízo. Com uma longa exposição ao oceano, muito cedo o povo se sentiu atraído pelas vantagens que o mar era capaz de lhe proporcionar. Esta localização ribeirinha e a conjugação de vários fatores circunstanciais foram , então, as razões que permitiram a nação lançar-se numa reconhecida Epopeia, a dos Descobrimentos. 128 anos - da conquista de Ceuta, em 1415, à chegada ao Japão, em 1543 - que mostraram que, virado para o mar, o pequeno recanto no sudoeste da Europa conseguiu crescer, tornar-se grande  e afirmar-se no mundo. 
Aqui se pode vislumbrar já uma diferença entre os conceitos periférico e perificidade. Estar situado na periferia - ser periférico - não significa necessariamente que resulte numa perificidade diminuída. Pode suceder que, mesmo sendo periférico, um lugar, um país, etc. tenha a capacidade de usar a sua condição marginal no espaço para potencializar a sua qualidade periférica.
Leia-se, a este propósito, um trecho extraído de um artigo "postado" por MariaGustava dos Santos num blog acerca de Bragança:

Bragança também pertence à Associação do Pacto do Eixo Atlântico, juntamente com mais 17 concelhos do Noroeste Peninsular, a qual objectiva uma aproximação de relações apostando na implementação de estratégias sócio-económicas e sócio-culturais comuns entre o Norte português e a Galiza. 
Constituiu-se em 1999 a nível político, uma importante ligação de cooperação com a vizinha Espanha, através da qual Bragança se assume como uma cidade-chave de um espaço europeu particular inserido noutros de maior dimensão, o Arco Atlântico e a União Europeia.
A localização no extremo mais nordeste do país faz com que Bragança tenha tido ao longo dos anos uma dupla posição geográfica periférica, a nível nacional e a nível regional.
Esta perificidade foi atenuada pelo facto de ser capital de distrito e sede de concelho, o que conduziu a uma polarização sobre a sua envolvente externa como centro político, administrativo e populacional, encontrando-se em Bragança a sede de algumas entidades e associações de cariz regional e delegações e direcções regionais da Administração Central. No entanto, só com uma boa acessibilidade e com a melhoria das condições urbanas e ambientais, que promovam a sua competitividade, é que a localização de Bragança pode deixar de ser um factor de constrangimento, para se tornar um fator de potencial desenvolvimento.


 

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