sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O Triângulo Estratégico Português

É uma constatação, consolidada há muito, que a geografia ocupa uma posição de charneira

entre o mundo físico e o mundo humanizado. Há lugares que, potencialmente atrativos pela sua condição física, não se traduzem em áreas prósperas, ricas e fortemente povoadas. Como há, e são vários os exemplos, de sítios que, hostis do ponto de vista natural, se revelam atraentes por uma diversidade de razões de índole humana, por exemplo, de ordem sócio-político. 

Muitas são as opiniões que podemos ler, analisar e discutir sobre as causas que possam estar na origem de determinados acontecimentos e que enriquecem quer o conhecimento geral quer o conhecimento geográfico. Um dos textos de opinião mais interessantes acerca do peso das escolhas políticas é "A nação marítima e a periferia", do biólogo marinho José Manuel Marques, onde o autor expõe, no caso portugês, o quanto aquele factor interferiu nas opções ao longo da nossa história. Eis alguns trechos selecionados:

Portugal preferiu trocar o ultramar pela ultraperiferia e perdeu-se

Com o 25 de Abril, Portugal despertou para a democracia mas (...) passou a ser pequeno. E pouco adiantou que personalidades (...) já na década de 80 do século XX, indicassem que Portugal pós-25 de Abril seria um país arquipelágico, atlântico, cujo contexto geopolítico se definiria pelo designado Triângulo Estratégico Português que de pequeno nada tinha. E (...) iria potenciar a maritimidade de Portugal e um novo ressurgimento da nação marítima.

Aconteceu que as elites (...) viraram-se para Bruxelas (...)

Portugal assumiu-se como um pequeno país (...) Não só periférico, mas ultraperiférico (...). Os Açores e a Madeira que antes eram ilhas adjacentes, passaram a ser regiões ultraperiféricas (...) Bruxelas não paga adjacências, dá dinheiro a periferias e ultraperiferias (...)

O desígnio de Portugal não é o mar. O desígnio de Portugal é ser uma nação marítima e a nação marítima não busca o mar, mas sim o além-mar.

Portugal precisa de voltar a ser uma nação marítima (...) O Continente, os Açores e a Madeira terão de (...) ser adjacentes entre si na centralidade atlântica. Três vértices por um mar comum na procura de novos mundos e de novas paisagens.

 

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