A China anunciou o seu primeiro declínio populacional em 60 anos. O país mais populoso do mundo está em risco de viver uma crise demográfica devido à queda da taxa de natalidade. Comparando a população no final de 2022 com Dezembro de 2021, verifica-se um decréscimo de 850 mil pessoas. Na hora de ter filhos, os cidadãos chineses, principalmente, os que vivem em meio urbano, têm em conta vários fatores:- A subida do custo de vida
- o nível de desemprego
- a preocupação com o envelhecimento dos pais
A demografia chinesa reflete, para além do peso de tradições culturais ancestrais, a influência de uma ideologia política catastrófica vigente desde a campanha lançada por Mao Tsé-Tung, o fundador da República Popular da China (RPC), em 1 de Outubro de 1949. Com o objetivo de “acelerar a transição para o comunismo", Mao Zedong lançou a campanha "O Grande Salto em Frente" com a coletivização dos meios de produção. O que sucedeu foi a morte a milhares de pessoas, devido a uma fome generalizada, levando ao primeiro declínio demográfico. Entre 1980 e 2016, Mao Tsé-Tung decidiu impor a política anti-natalista conhecida pela política do filho único, uma medida imperativa e sancionatória para os casais que não a respeitassem. Sendo uma tradição ancestral a preferência por descendentes do sexo masculino, frequentemente houve recurso ao aborto e ao infanticídio feminino. Esta opção justifica que, hoje, haja um grave problema traduzido por uma desproporção entre o peso da população masculina e a população feminina, causa de graves manifestações sociais, mesmo de origem criminal.Cientes das consequências demográficas presentes e futuras, as autoridades abandonaram as medidas anti-natalistas e procuram incentivar os casais a terem mais filhos, algo que não tem tido sucesso.
Consequências destas vicissitudes:
- 1.411,75 milhões de habitantes em 2022
- 9,56 milhões de nascimentos em 2022
- 10,41 milhões de mortes em 2022 >>>>>> crescimento natural negativo
- um excedente de 33 milhões de homens no final de 2022 >>>>>> o resultado direto da política do filho único. Desde 1971, os hospitais do país executaram 336 milhões de abortos e 196 milhões de esterilizações.