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O mundo do futuro
No entanto, no momento em que tanta ciência era absorvida por comunicação social, cultura popular e sistema político, começava um novo movimento de redução das taxas de natalidade e de fecundidade. A população mundial continuou a crescer exponencialmente, facto que, para os que não estavam familiarizados com as dinâmicas próprias da demografia, parecia confirmar os profetas da catástrofe. Por isso, foi com indisfarçável surpresa que, já nos nossos dias, as previsões do departamento de demografia das Nações Unidas foram sendo sucessivamente revistas em baixa relativamente ao que tinha sido previsto nos anos anteriores. Mais, as taxas de fecundidade foram sendo apresentadas em queda abrupta em praticamente todos os países e regiões culturais que pareciam imunes a tendências próprias de sociedades modernas ocidentais. O que parecia ser uma característica das sociedades do mediterrâneo ocidental, historicamente católicas, em vias de descristianização acelerada, eram afinal traços das sociedades que emergiam do totalitarismo comunista no Leste da Europa e na órbita eurasiática do ex-império soviético. Afinal, as sociedades xintoístas, budistas, confucionistas do Extremo Oriente registavam as mesmas quedas da América Latina. Nem o mundo islâmico escapou à razia. O Irão tornou-se um caso particularmente saliente da passagem, numa geração, de um país com taxas de fecundidade elevadíssimas para padrões ocidentais, e tudo durante o decurso de uma revolução nacional de fanatismo xiita.
Pouco anos foram necessários para fazer chegar a tendência a todos. Casos que faziam desesperar o observador consternado, como a Índia, o Bangladesh e o Sri Lanka, chegaram à presente década com uma taxa de fecundidade inferior à normalmente associada à renovação integral das gerações (2,1-2,3 filhos por mulher). E mesmo a excepção à actual contracção demográfica, a África Subsaariana, já começou a reduzir sensivelmente as suas taxas de fecundidade, ainda que acima do índice de renovação de gerações, e, portanto, em pleno crescimento populacional. Por razões que só podemos conjecturar sem grande fundamento além da intuição das coisas, nos últimos 10 anos a tendência de redução das taxas de fecundidade acelerou, trazendo-nos a um contexto que há apenas 30 anos era pura e simplesmente impensável. São hoje várias as sociedades que figuram taxas de fecundidade inferiores a 1.
Mas se agregarmos todos os dados, e não considerarmos sequer os muitos e bons argumentos que dão conta que mesmo os números da ONU têm sobrestimado não apenas as taxas de fecundidade, mas os números absolutos das populações nacionais, e temos já hoje uma taxa de fecundidade global inferior ao nível da renovação de gerações.
